Pesquisar

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Liturgia Dominical

33º Domingo do Tempo Comum - Ano A – Dia: 13/11/2011 - Cor: Verde

Primeira Leitura: Com habilidade trabalham as suas mãos
Leitura do Livro dos Provérbios 31,10-13.19-20.30-31: 10 Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as jóias. 11 Seu marido confia nela plenamente, e não terá falta de recursos. 12 Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto, todos os dias de sua vida. 13 Procura lá e linho, e com habilidade trabalham as suas mãos. 19 Estende a mão para a roca, e seus dedos seguram o fuso. 20 Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre. 30 O encanto é enganador e a beleza é passageira; a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor. 31 Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: A esposa ideal
Mais do que elogio a uma determinada esposa, o poema proclama a sabedoria personificada como esposa ideal, que leva o homem para a justiça, honra, prosperidade e vida. É a companheira ideal para todos, homens e mulheres. Dessa forma, a mulher fica livre das exigências desmedidas que a sociedade patriarcal e machista lhe impõe.

Salmo Responsorial - Sl 127(128),1-2.3.4-5ab (R. cf. 1a)
R. Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!
1 Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! 2 Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem! (R)
3 A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa. (R)
4 Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. 5 O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida. (R)

Comentário: A felicidade vem da partilha
Oração em estilo sapiencial sobre a felicidade do justo
Este salmo nos mostra que temer a Deus consiste em reconhecer que só ele é Deus, e o homem não é Deus. Daí nasce a obediência à vontade de Deus, que abençoa e ensina o caminho de vida: trabalho honesto, amor matrimonial, paternidade e maternidade que partilham a vida. Do círculo familiar parte para todo o povo: da cidade da Aliança, Deus abençoa a todos, criando uma história de paz.

Segunda Leitura: Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 5,1-6: 1 Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos, não há por que vos escrever. 2 Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão, de noite. 3 Quando as pessoas disserem:"Paz e segurança!", então de repente sobrevirá a destruição, como as dores de parto sobre a mulher grávida. E não poderão escapar. 4 Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. 5 Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. 6 Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios. Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário: Jesus Cristo morreu por nós
Saber com precisão a data da parusia de Cristo é desejo muito humano, porém fadado à frustração. Conforme a tradição cristã, só Deus Pai conhece o momento preciso: “Quanto a esse dia e hora, ninguém sabe nada, nem os anjos do céu, nem o Filho. Somente o Pai é quem sabe” (Mc 13,32). Aos cristãos cabe esperar com espírito vigilante. A luz é o símbolo da vida, enquanto as trevas são símbolo do mal e da morte. Para Paulo, o cristão é aquele que acredita na vida e luta por ela, sem aceitar nenhum compromisso com as estruturas que produzem a morte. O testemunho cristão é verdadeiro combate com as armas da fé, do amor e da esperança: a fé leva ao conhecimento da verdade e da justiça; o amor produz novas relações entre os homens; a esperança abre o futuro para a liberdade e a vida. Cristão não é aquele que perde tempo em discutir sobre dia e hora, porém aquele que, instruído pelas palavras de Jesus, vive em vigília. Esta "espera vigilante", para ser autêntica, deve ser operosa. Paulo insiste com os tessalonicenses para que sejam ativos no bem, no bem concreto, de cada dia, para com todos. Serão salvos e filhos da luz, não das trevas, aqueles que forem vigilantes e sóbrios, não os que dormirem; aqueles que vestirem a armadura espiritual de defesa, que os torna invencíveis. Uma certeza orienta a vida do cristão e lhe determina a conduta: o Senhor virá. Sua vinda não deve ser imaginada fora do tempo e da história (o dia do Senhor). Ele vem agora, no cotidiano da existência. É, pois, melhor viver com Deus na fé e no amor cada dia que nos for dado.

Aclamação ao Evangelho Jo 15,4a.5b
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor; quem em mim permanece, esse dá muito fruto.    (R)

Evangelho: Como foste fiel na administração de tão pouco, vem participar de minha alegria
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25,14-30: Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 14 "Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. 16 O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. 17 Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18 Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19 Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20 O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: 'Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei'. 21 O patrão lhe disse: 'Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!' 22 Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: 'Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei'. 23 O patrão lhe disse: 'Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!' 24 Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: 'Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25 Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence'. 26 O patrão lhe respondeu: 'Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? 27 Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence'. 28 Em seguida, o patrão ordenou: 'Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29 Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!'" Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: O talento multiplicado
Não basta estar preparado, esperando passivamente a manifestação de Jesus. É preciso arriscar e lançar-se à ação, para que os dons recebidos frutifiquem e cresçam. Jesus confiou à comunidade cristã a revelação da vontade de Deus e a chave do Reino. No julgamento, ele pedirá contas por esse dom. A comunidade o repartiu e o fez crescer, ou o escondeu dos homens?
O encontro definitivo com o Senhor é que dá sentido à vida do discípulo. Este evento futuro e incerto motiva as suas iniciativas. Cada minuto de sua existência é tomado como possibilidade de fazer algo mais. Não perde a chance de se mostrar fiel ao Senhor, nas mínimas coisas. O discípulo age a partir dos dons recebidos de Deus. Quantos e quais sejam, pouco lhe importa. Importa-lhe apenas saber que o Senhor quer vê-los multiplicados. O verdadeiro discípulo sabe como fazer multiplicar seus dons. Isto se dá no serviço ao próximo, buscando construir a justiça e a fraternidade, e fazendo deles instrumento de restauração da dignidade humana. Quanto mais o discípulo põe a serviço dos outros os dons recebidos de Deus, mais estes se multiplicam. A atitude dos discípulos operosos e engajados contrasta com a dos preguiçosos, medrosos, acomodados, sem criatividade. Por preguiça espiritual, eles não se sentem motivados a fazer multiplicar o dom recebido de Deus. Por medo da severidade de Deus, por considerarem poucos os dons recebidos, por temerem enfrentar o mundo e seus desafios ou por não saberem como agir, o fato é que não progridem no caminho para Deus. A vida inútil que levam, resultará em severa punição, quando se encontrarem com o Senhor. As imagens da parábola são extraídas de uma sociedade oportunista consagrada ao mercado em busca do lucro. Na parábola, o senhor ambicioso, ao viajar, determina a seus três servos que façam render seu dinheiro. Os dois servos mais "fieis" fizeram o dinheiro render cem por cento. Contudo um servo mais tímido, temeroso da severidade do patrão, não querendo correr risco, escondeu o dinheiro que recebeu e devolveu-o tal qual. O senhor , afirmando-se como sendo aquele que "colhe onde não plantou e ajunta onde não semeou", qualifica o servo tímido de mau e preguiçoso. Os dois servos fieis e eficientes foram exaltados e o servo tímido foi lançado fora. A sentença final, "a quem tem será dado mais... daquele que não tem será tirado", é típica da sociedade excludente e concentradora de riquezas. A parábola tem um certo aspecto de caricatura irônica da sociedade. Suas imagens são pouco condizentes com a revelação de Jesus de Nazaré, manso e humilde de coração, que vem trazer vida para todos, sem exclusões. O Reino de Deus é o reino dos pobres, mansos, pacíficos e misericordiosos, com fome e sede de justiça e partilha. Com certo constrangimento, a parábola tem sido entendida como uma advertência aos discípulos afim de que façam frutificar seus dons pessoais, a serviço da comunidade e da sociedade.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Liturgia do dia 09/11/2011


Quarta-Feira da 32ª STC - Ano A – Dia: 09/11/2011 - Cor: Branco
Dedicação da Basílica do Latrão

Primeira Leitura: Vi sair água do lado direito do templo, e todos os que esta água tocou foram salvos
Leitura do Livro de Ezequiel: 47,1-2.8-9.12: Naqueles dias, 1 o anjo fez-me voltar até a entrada do templo e eis que saía água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do templo, a sul do altar. 2 Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até à porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 8 Então ele me disse: "Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9 Onde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida onde chegar o rio. 12 Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio".  Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário: Vi sair água do lado direito do templo
O futuro radioso que espera o povo eleito tem sua raiz na renovação espiritual, em sua santidade, da qual o templo (e o culto) será a fonte inexaurível: a água que corre do lado direito do templo torna-se um rio. Na mente de Ezequiel esta imagem se cobre de várias realidades. É uma recordação: o paraíso terrestre de Gn 2; é uma realidade geográfica: o curso do Cedron e as várias fontes que trarão maior fertilidade a toda a região; é um projeto real: o de Ezequias com instalações hidráulicas, semelhantes às obras de irrigação de Babilônia; é utopia: o sonho nunca se realizará na realidade geográfica. Mas a visão é, sobretudo simbólica: uma prosperidade de ordem espiritual dada à terra por favor de Deus a seu povo. Essa graça será dada na pessoa de Cristo, encarnado para nossa salvação: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba; rios de água viva jorrarão do seio daquele que crê em mim" (Jo 7,37-38). A Eucaristia é a fonte que assegura à Igreja a exuberância de vida. Não foi sem motivo que o Vaticano II colocou na base da renovação da Igreja a renovação da liturgia, que tem na Eucaristia sua fonte.

Salmo Responsorial: Sl 45(46),2-3.5-6.8-9 (R. 5)
R. Os braços de um rio vêm trazer alegria à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo.
2 O Senhor para nós é refúgio e vigor, sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia; 3 assim não tememos, se a terra estremece, se os montes desabam, caindo nos mares. (R)
5 Os braços de um rio vêm trazer alegria à cidade de Deus, à morada do altíssimo. 6 Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la. (R)
8 Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó! 9 Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo. (R)

Comentário: Deus está conosco
Hino a Jerusalém, provavelmente depois que o exército de Senaquerib se retirou no ano 701 a.C. (cf. 2Rs 18,13-19,37)
Este salmo nos mostra que Deus, o Deus Criador e Senhor da história, está em aliança com o seu povo, protegendo-o contra as forças do caos, que são as nações inimigas. Exalta Deus como guerreiro que chefia as lutas do seu povo. O cerco da cidade compreendia o corte do fornecimento de água. Ao romper da manhã, o exército de Senaquerib bate em retirada, provavelmente atingido por uma peste. Sua derrota é vista como vitória de Deus (2Rs 19,35-37).

Aclamação ao Evangelho: 2Cr 7,16
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Esta casa eu escolhi e santifiquei, para nela estar meu nome para sempre. (R)

Evangelho: Jesus estava falando do Templo do seu corpo
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João: 2,13-22: 13 Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14 No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15 Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: "Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!". 17 Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: "O zelo por tua casa me consumirá". 18 Então os judeus perguntaram a Jesus: "Que sinal nos mostras para agir assim?" 19 Ele respondeu: "Destruí este Templo, e em três dias o levantarei". 20 Os Judeus disseram: "Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?" 21 Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22 Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: As coisas de Deus
Para os judeus, o Templo era o lugar privilegiado de encontro com Deus. Aí de colocavam as ofertas e sacrifícios levados pelos judeus do mundo inteiro, e formavam verdadeiro tesouro, administrado pelos sacerdotes. A casa de oração se tornara lugar de comércio e poder, disfarçados em culto piedoso. Expulsando os comerciantes, Jesus denuncia a opressão e a exploração dos pobres pelas autoridades religiosas. Predizendo a ruína do Templo, ele mostra que essa instituição religiosa já caducou. Doravante, o verdadeiro Templo é o corpo de Jesus, que morre e ressuscita. Deus não quer habitar em edifícios, mas no próprio homem. A imagem de Jesus com o chicote em punho, expulsando do templo de Jerusalém cambistas e comerciantes, não bate com a do Jesus manso e humilde transmitida, pelo imaginário cristão. Não é fácil pensá-lo irado e violento. Por que Jesus se indignou tanto diante do templo profanado? A resposta, à primeira vista, poderia ser: porque a casa do Pai foi transformada em mercado. A motivação, porém, parece ser outra: porque a religião estava sendo instrumentalizada e acabava acobertando injustiça e extorsão, especialmente, contra os mais pobres; porque o Pai havia sido transformado num deus conivente com a maldade; porque o templo, enquanto lugar da fraternidade e da acolhida, tinha sido transformado em ponto de exploração e enriquecimento ilícito; porque, enfim, a fé perdera a sua profundidade e os fiéis tinham-se tornado vítimas da ganância dos ricos. Nisto consistia a profanação da casa de Deus e da religião. E Jesus não suportava que as coisas do Pai fossem tratadas assim. A profanação das coisas divinas, porém, iria atingir seu grau mais elevado, com a morte ignominiosa de Jesus na cruz. Matar o Filho de Deus correspondia à determinação de destruir o verdadeiro templo. Jesus, porém, estava seguro de que o templo-Filho seria reconstruído. O templo material, ao invés, estava fadado à ruína completa. No evangelho de João percebe-se uma exaltação dos samaritanos e uma censura aos judeus. Assim, por um lado, temos a narrativa do diálogo de Jesus com a mulher samaritana, em pleno dia, à beira do poço, que termina com todos os moradores desta região da Samaria vindo aclamar Jesus, professando nele sua fé. Por outro lado, Nicodemos, um dos chefes dos fariseus, vem conversar com Jesus, ocultando-se na penumbra da noite, e não entende a sua mensagem. O evangelho de hoje menciona que estava próxima a Páscoa "dos judeus", dando a entender que Jesus se distancia do sistema religioso que a promove, sediado em Jerusalém. Nesta primeira viagem de Jesus a Jerusalém o destaque é a perda de sentido do Templo. Em vez de lugar de oração, o Templo tornou-se um lugar de comércio e exploração do povo piedoso. A situação não era nova, pois o profeta Jeremias, muito tempo antes, já fizera tal denúncia (Jr 7,11). O culto no Templo, com o acesso de multidões de peregrinos durante o ano, era fonte de riqueza para o comércio em Jerusalém e, principalmente para a casta religiosa, que recolhia imensos valores como dízimos, ofertas, e sacrifícios dos fieis. O Templo, desde sua primeira construção por Salomão, tinha um anexo, o Tesouro (ou Gazofilácio), onde eram acumuladas estas riquezas. Com Jesus a presença de Deus não está no Templo, mas sim no próprio Jesus e em cada membro da comunidade que vive o serviço e a partilha, com amor e misericórdia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Liturgia Dominical


32º DTC - Ano A – Dia: 06/11/2011 - Cor: Branco
Todos os Santos

Primeira Leitura: Vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas
Leitura do Apocalípse de São João 7,2-4.9-14: Eu, João, 2 vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3 "Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus". 4 Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9 Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10 Todos proclamavam com voz forte: "A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro". 11 Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12 "Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém". 13 E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: "Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?" 14 Eu respondi: 'Tu é que sabes, meu senhor". E então ele me disse: "Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro". Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: A salvação vem de Deus e do Cordeiro
O aspecto positivo do grande Dia é a salvação. O povo de Deus é protegido no julgamento. A marca na fronte é o sinal da salvação e da presença de Deus. O povo de Deus é apresentado como o Israel total e perfeito. É um povo incontável ( versículo 9), porque a salvação está aberta para todos os homens (gente de todas as nações, tribos, povos e línguas). O povo de Deus reconhece que a salvação vem de Deus e do Cordeiro. Não são as coisas e nem os homens absolutizados que salvam. Unido aos anjos e à criação, o povo de Deus adora a Deus e reconhece que a plenitude do louvor pertence somente a Ele. João enfatiza a salvação do povo de Deus. A grande tribulação são as perseguições. A veste branca significa a participação no testemunho de Jesus.

Salmo Responsorial - Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
R. É assim a geração dos que procuram o Senhor!
1 Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; 2 porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável. (R)
3 “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” 4a Quem tem mãos puras e inocente coração, 4b quem não dirige sua mente para o crime. (R)
5 Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. 6 “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face”. (R)

Comentário: O Rei da glória
Procissão que termina com diálogo litúrgico na porta de Jerusalém, para celebrar a conquista da cidade (cf. 2Sm 5,6-10). A presença de Deus é simbolizada pela Arca da Aliança
Talvez um cântico durante a procissão. Pergunta e resposta sobre as condições para entrar na cidade de Deus. O mundo e tudo o que nele contém foi criado por Deus, inclusive nós, fomos criados a sua imagem e semelhança. Mas, para participarmos destas maravilhas criadas por Ele, temos que seguir o seu projeto de vida para todos nós, vivermos em comunidade, ajudando aos mais necessitados e oprimidos. Só assim seremos dignos do teu Reino. Se assim agirmos, com certeza, Ele nos cobrirá de graças e bênçãos.

Segunda Leitura: Veremos Deus tal como é
Leitura da Primeira Carta de São João 3,1-3: Caríssimos: 1 Vêde que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2 Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3 Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.  Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário: Viver como filhos de Deus
João começa novo tema: Deus é justo. Jesus Cristo manifestou inteiramente a Deus porque, através de sua vida, mostrou concretamente o que é a justiça divina. Do mesmo modo, quem pratica a justiça mostra que é filho do Deus justo, a semelhança de Jesus. Não basta ser batizado para ser filho de Deus: é preciso praticar a justiça, Essa realidade, porém, ainda está em crescimento, e só se realizará totalmente quando puderem contemplar toda a glória de Jesus Cristo. O mundo não reconhece o Deus justo, porque o princípio que rege a vida do mundo é a injustiça. Desse modo, o mundo considera como inimigos perigosos o Deus justo e seus filhos que revelam a justiça.

Aclamação ao Evangelho Mt 11,28
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Vinde a mim, todos vós que estais cansados e penais a carregar pesado fardo, e descanso eu vos darei, diz o Senhor.   (R)

Evangelho: Bem-aventurados os pobres em espírito
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,1-12a: Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! 11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12a Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus". Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: A verdadeira felicidade
As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. Os que buscam a justiça do Reino são os “pobres em espírito”. Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade. A santidade é uma meta a ser atingida por todos os cristãos. Ninguém é excluído deste apelo nem pode eximir-se de dar sua resposta. Mas importa nutrir um ideal sadio de santidade, sem se deixar levar por falsas concepções. Ser santo é ser capaz de colocar-se totalmente nas mãos do Pai, contar com ele, sabendo-se dependente dele. Por outro lado, é colocar-se a serviço dos semelhantes, fazendo-lhes o bem, como resposta aos benefícios recebidos do Pai. O enraizamento em Deus desabrocha em forma de misericórdia para com o próximo. A santidade constrói-se no ritmo da entrega da própria vida nas mãos do Pai, explicitada no serviço gratuito e desinteressado aos demais, deixando de lado os interesses pessoais e tudo quanto seja incompatível com o projeto de Deus. Este ideal não é inatingível. E se constrói nas situações mais simples nas quais a pessoa é chamada a ser bondosa, a não agir com dolo ou fingimento, a criar canais de comunicação entre os desavindos, a superar o ódio e a violência, a cultivar o hábito da partilha fraterna, a ser defensor da justiça. Qualquer cristão, no seu dia-a-dia, tem a chance de fazer experiências deste gênero. Se o fizer, com a graça de Deus, estará dando passos decisivos no caminho da bem-aventurança. Mateus, em seu evangelho, apresenta a proclamação das bem-aventuranças como sendo as primeiras palavras de Jesus dirigidas às multidões, no início de seu ministério. Estas bem-aventuranças são uma proposta de felicidade a ser encontrada na união de vontade com Deus a partir das práticas amorosas acessíveis a todos. Não se trata da prática de virtudes pessoais, ascéticas ou morais, para um aperfeiçoamento individual. As bem-aventuranças são a felicidade alcançada por aqueles que entram em comunhão de vida com os irmãos, particularmente os mais excluídos, em um processo solidário e fraterno de libertação e restauração da dignidade humana. As bem-aventuranças não têm o mesmo caráter que os mandamentos. Elas são um convite e uma proposta de vida nova, na prática da justiça que conduz à paz. À prática das bem-aventuranças todos são chamados, sem elitismos ou exclusões, particularmente os mais simples e humildes. A primeira bem-aventurança apresenta a pobreza, na forma de desapego concreto dos bens terrenos, como a característica fundamental do Reino. As duas bem-aventuranças seguintes apontam para as vítimas da sociedade injusta: os que choram e os submissos ("mansos") aos quais o amor de Deus traz a libertação. Seguem-se quatro bem-aventuranças ativas em vista da transformação da sociedade: a fome e a sede da justiça, que são a vontade de Deus; a misericórdia, que impulsiona à ação solidária; a pureza do coração, que supera a pureza ritual e acolhe a todos, e os promotores da paz em vista da construção de um mundo sem ambição e violência daqueles que tiram o alimento dos pobres para transformá-lo em armas de destruição maciça diante da consolidação de um império mundial. As duas últimas bem-aventuranças retomam o tema da justiça, exaltando sua grandeza e advertindo sobre a repressão a que estarão sujeitos os que a buscam. Neste mundo em que a violência é alimentada pela ambição dos poderosos, a prática das bem-aventuranças aponta para novos rumos em vista da comunhão fraterna, da solidariedade mundial e da conquista da paz.

APROFUNDANDO NA PALAVRA: Felizes os pobres
O evangelho das bem-aventuranças domina a liturgia da Palavra deste domingo. É a primeira parte do sermão da montanha.
Jesus, subindo ao monte nos aparece como o Novo Moisés, promulgador da nova Lei ("mas eu vos digo...!") no novo Sinai. Proclamando bem-aventurados os pobres e os humildes, Jesus fala a linguagem que Deus já havia usado com seu povo através dos profetas. Os primeiros a serem chamados são sempre os pequenos, os pobres, os que o mundo despreza, mas que são grandes no reino dos céus.
Um sermão revolucionário
Este sermão é verdadeiramente uma inversão dos valores tradicionais. Os hebreus cultivavam a convicção de que a prosperidade material, o sucesso eram sinais da bênção de Deus, e a pobreza e a esterilidade, sinais de maldição. Jesus denuncia a ambiguidade de uma representação terrena da bem-aventurança. Agora, os bem-aventurados não são mais os ricos deste mundo, os saciados, os favorecidos, mas os que têm fome e choram, os pobres e perseguidos. É a nova lógica, a que Maria, a bem-aventurada por excelência, canta: "Derrubou os poderosos de seus tronos, elevou os humildes: cumulou de bens os famintos, despediu os ricos de mãos vazias" (Lc 1,52-53).
As nove bem-aventuranças de Mateus se resumem na primeira: "Bem-aventurados os pobres em espírito". As outras são corolário e explicitação desta. Reconhecer-se pobre, fraco, não é, porém, antes de tudo, condição social, mas uma disposição interior que toca todo o modo de agir, em qualquer situação em que se esteja. A pobreza, por si só, não é um bem nem uma situação de ascese. Mas ser rico significa ter poder, receber honras e ter uma posição superior à dos outros: aqui é que começa o perigo, porque onde há poder, riqueza e superioridade, há também, e com muita frequência, oprimidos, esmagados, desprezados. E é a estes que cabe o reino dos céus. Jesus se põe ao lado destes. São eles os eleitos. Jesus se apresenta como o mensageiro enviado por Deus para anunciar aos pobres a Boa-nova; sua solicitude pelos pobres, os infelizes, os doentes era o sinal da sua missão. Jesus leva aos deserdados não só a segurança de que um dia gozarão o reino de Deus, mas anuncia-lhes que este reino já chegou.
A missão de Jesus se estende, além dos pobres, a todas as misérias Físicas e espirituais; todos atraem sua compaixão. Inaugurando a era da salvação, Deus concede uma prioridade a todos os que dela têm necessidade mais urgente.
Pobreza e sociedade de consumo
Em mundo como o nosso, terá ainda sentido o sermão da montanha? Que sentido tem pronunciar este texto numa sociedade de consumo, que mede a felicidade e a bem-aventurança segundo as posses, o sucesso e o poder? E no Terceiro Mundo, subdesenvolvido e oprimido, que sentido tem repetir: "Bem-aventurados os pobres... bem-aventurados os perseguidos? Não ressoará como um ultraje à sua miséria, ou como uma tentativa de narcotizar ou abafar "a ira dos pobres"?
No entanto, não podemos anular esta bem-aventurança sem anular o Cristo. De fato, o primeiro pobre é ele, que, sendo rico se fez pobre por nós. Há, pois, nesta bem-aventurança um apelo a seguir Jesus, que não encontrou lugar na hospedaria, que não tinha uma pedra onde recostar a cabeça, que morreu pobre e despojado numa cruz. E o fez para se dar inteiramente aos outros.
A multidão que ouve e segue Jesus não se compõe de escribas, fariseus, levitas, sacerdotes do templo, poderosos guardiões da ordem. Mas segue Jesus a multidão anônima do povo miúdo, pescadores e pastores, gente explorada e oprimida pelos poderosos...
Pobreza como sinal distintivo das comunidades cristãs
A pobreza proclamada por Jesus não deve ser só característica de todo cristão, mas o distintivo e a bem-aventurança da Igreja e da comunidade como tal. Um dos momentos fortes da "conversão" a que o Concílio chamou a Igreja é a pobreza. Acaso não será devido a certa riqueza de meios, certo apego ao dinheiro e ao poder, na Igreja, que em muitos cristãos nasce uma sensação de mal-estar? Em nossas assembléias eucarísticas estão presentes hoje muitas pessoas que dispõem de recursos e de cultura. Eles nunca estarão dispensados de buscar os caminhos da pobreza e de servir seus irmãos indigentes, porque é nos pobres que se encontra, ainda e sempre, aquele que veio para salvar.

Todos os Santos
No principio, a Bíblia reservou a Deus (Senhor) o título de "Santo", palavra que tinha então um significado muito próximo ao de "sagrado": Deus é o "Outro", tão transcendente e tão longínquo que o homem não pode pensar em participar da sua vida. Diante de sua santidade (cf Gn 28,10-19; 1Sm 6,13-21; 2Sm 6,1-10) o homem não pode deixar de ter respeito e temor (cf Ex 3,1-6; Gn 15,12). Numa religião de salvação como a de Israel, Deus devia comunicar a sua santidade ao povo (cf Is 12,6; 29,19-23; 30,11-15; 31,1-3), o qual se torna também "outro", manifestando em sua vida cotidiana, e sobretudo em seu culto, um comportamento diferente do de outros povos (Lv 19,1-37; 21,1-23; Ap 4,1-11). Mas para efetuar essa santidade a que Deus o chamava, o povo eleito tinha apenas meios legais e práticas de purificação exterior. Os homens mais esforçados tomaram logo consciência da insuficiência de tais meios e procuraram a "pureza de coração", capaz de fazê-los participantes da vida de Deus (cf Is 6,1-7; S 114; Ez 36,17-32; 1Pd 1,14-16). Esses puseram sua esperança numa santidade que seria comunicada diretamente por Deus (Ez 36,23-28). Esta aspiração se realiza no Cristo; ele irradia a santidade de Deus; sobre ele repousa "o Espírito de santidade"; ele reivindica o título de "santo" (cf Jo 3,1-15; 1 Cor 3 ,16-17; Gl 5,16-25; Rm 8,9-14). E, de fato, santifica toda a humanidade. Jesus Cristo, tornado "Senhor", transmite a sua santidade à Igreja por meio dos sacramentos, que trazem ao homem a vida de Deus (cf Mt 13,24-30; 25,2; Cl 1,22; 2Cor 1,12). Esta doutrina era tão viva nos primeiros séculos que os membros da Igreja não hesitavam em se chamar "os santos" (2Cor 11,12; Rm 15,26-31; Ef 3,5-8; 4,12), e a própria Igreja era chamada "comunhão dos santos". A santidade cristã manifesta-se, pois, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja nos oferece, particularmente com os sacramentos. A santidade não é o fruto do esforço humano, que procura alcançar a Deus com suas forças, e até com heroísmo; ela é dom do amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina.