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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Liturgia do dia 19/10/2011


Quarta-Feira da 29ª STC - Ano A – Dia: 19/10/2011 - Cor: Verde
São João de Brébeuf e Santo Isaac Jogues, presbíteros, e seus companheiros, mártires
São Paulo da Cruz, presbítero

Primeira Leitura: Oferecei-vos a Deus como pessoas que passaram da morte à vida
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 6,12-18: Irmãos, 12 que o pecado não reine mais em vosso corpo mortal, levando-vos a obedecer às suas paixões. 13 Não ofereçais mais vossos membros ao pecado como armas de iniquidade. Pelo contrário, oferecei-vos a Deus como pessoas vivas, isto é, como pessoas que passaram da morte à vida, e ponde vossos membros ao serviço de Deus como armas de justiça. 14 De fato, o pecado não vos dominará, visto que não estais sob o regime da lei, mas sob o regime da graça. 15 Então, iremos pecar, porque não estamos sob o regime da lei, mas sob o regime da graça? De modo algum! 16 Acaso não sabeis que, oferecendo-vos a alguém como escravos, sois realmente escravos daquele a quem obedeceis, seja escravos do pecado para a morte, seja escravos da obediência para a justiça? 17 Graças a Deus que vós, depois de terdes sido escravos do pecado, passastes a obedecer, de coração, aos ensinamentos, aos quais fostes entregues. 18 Libertados do pecado, vos tornastes escravos da justiça.  Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: Oferecei-vos a Deus como pessoas que passaram da morte à vida
Ressuscitando para viver sob o regime da graça concedida por Deus através de Jesus Cristo, os cristãos devem viver em clima de conversão, de contínua passagem da morte para a vida. Trata-se de não mais se prestarem como instrumentos de uma sociedade que produz injustiça e morte, mas de se entregarem ao serviço de Deus, oferecendo-se a si mesmos como instrumentos que realizem o projeto de Deus na história (justiça). Em outras palavras, entregar-se de corpo e alma à luta para implantar um sistema social em que a vida seja o centro e o fundamento. Sobre os cristãos o pecado não terá mais voz e vez. Paulo radicaliza: o cristão não deve ser apenas instrumento, mas escravo de Deus e da justiça; deve ser alguém que se empenha total e exclusivamente na realização do projeto de Deus. E nesse serviço não existe relação comercial, como no pecado: a recompensa é dom gratuito de Deus, que é a própria vida. Estar sem cadeias, sem saber em que direção andar, sem meta que dê um sentido à caminhada, não é liberdade, mas simples ausência de constrição ou espontaneidade. Não é livre aquele que não obedece a ninguém, mas quem obedece a Deus. Em nossa adesão a Cristo, preso à obediência ao Pai, encontramos nossa verdadeira liberdade. Cristo quis plenamente e a fundo a vontade do Pai. Esta sua decisão é o lugar de maturação de nossa liberdade. Esta não se reduz a um desejo adolescente de afirmar de qualquer modo a própria personalidade. Deus é amor. Somente o sol do amor faz amadurecer a liberdade, como qualquer realidade do homem.
Salmo Responsorial - Sl 123(124),1-3.4-6.7-8 (R. 8a)
R. Nosso auxílio está no nome do Senhor.
1 Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, que o diga Israel neste momento; 2 se o Senhor não estivesse ao nosso lado, quando os homens investiram contra nós, 3 com certeza nos teriam devorado no furor de sua ira contra nós. (R)
4 Então as águas nos teriam submergido, a correnteza nos teria arrastado, 5 e então, por sobre nós teriam passado essas águas sempre mais impetuosas. 6 Bendito seja o Senhor, que não deixou cairmos como presa de seus dentes! (R)
7 Nossa alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador; o laço arrebentou-se de repente, e assim nós conseguimos libertar-nos. 8 O nosso auxílio está no nome do Senhor, do Senhor que fez o céu e fez a terra! (R)

Comentário: É Deus quem protege o povo
Oração coletiva de agradecimento, depois de um perigo superado
Este salmo nos mostra que apoiado no projeto do Deus libertador, o povo consegue a vitória contra os inimigos. Deus colabora muitas vezes com seu povo, fazendo fracassar os planos dos opressores. O versículo 8 é uma confissão de confiança: quem auxilia o povo é o Deus libertador, Senhor da vida.

Aclamação ao Evangelho Mt 24,42a.44
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Vigiai, diz Jesus, vigiai, pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir.     (R)

Evangelho: A quem muito foi dado, muito será pedido
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 12,39-48: Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 39 "Ficai certos, se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40 Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes". 41 Então Pedro disse: "Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?" 42 E o Senhor respondeu: "Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43 Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44 Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45 Porém, se aquele empregado pensar: 'Meu patrão está demorando', e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46 O senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. 47 Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. 48 Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!"    Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: Um alerta para os líderes
Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os versículos 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (versículos 47-48). A parábola do dispenseiro prudente e fiel é uma chamada de atenção para os líderes das comunidades cristãs, na perspectiva da demora em consumar-se a segunda vinda do Senhor. O dispenseiro confiável corresponde ao líder que exerce a tarefa de coordenar a comunidade, sem extrapolar os limites de suas atribuições. No trato com os irmãos e as irmãs, sabe ser benevolente e justo, fraterno e solidário, equânime e respeitoso. Ele não cede à tentação de sentir-se superior aos demais, nem de fazer acepção de pessoas. Antes, exerce a liderança, consciente de estar a serviço do Senhor, a quem deverá prestar contas. O dispenseiro insensato assemelha-se ao líder que tiraniza a comunidade, despreza as pessoas, e é inescrupuloso no trato com elas. Comporta-se como se fosse o senhor de seus semelhantes. Um senhor impiedoso e cruel! Os efeitos danosos de sua atitude são imediatamente sentidos pela comunidade, a qual se dispersa, desanima, perde o gosto de testemunhar sua fé. A reação do senhor diante das duas atitudes contrastantes alerta para o destino de cada tipo de líder: quem é fiel receberá a bênção divina, em forma de herança dos bens eternos. Sua fidelidade a um projeto histórico torná-lo-á merecedor de um prêmio celeste. Já o líder tirano será punido com severidade, recebendo a mesma sorte dos ímpios, ou seja, o castigo eterno. Estas duas parábolas comparativas são estimulantes a partir da expectativa da volta do Senhor. A primeira, sobre o dono da casa e a vinda do ladrão, é dirigida aos discípulos em geral, que devem estar atentos, vigiando, isto é, zelosos em praticar a vontade de Deus. A segunda, sobre o servo que cuida da criadagem do senhor, é dirigida àqueles que têm a missão de conduzir a comunidade. É provável que ela fosse inicialmente dirigida aos fariseus, aplicando-se, em seguida, aos líderes das comunidades de discípulos de Jesus. Todos devem assumir com humildade suas responsabilidades, estando atentos às necessidades dos irmãos, sem impor ou dominar os demais.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Liturgia Dominical


29º DTC - Ano A – Dia: 16/10/2011 - Cor: Verde

Primeira Leitura: Tomei Ciro pela mão direita, para que submeta os povos ao seu domínio
Leitura do Livro do Profeta Isaías 45,1.4-6: 1 Isto diz o Senhor sobre Ciro, seu Ungido: "Tomei-o pela mão para submeter os povos ao seu domínio, dobrar o orgulho dos reis, abrir todas as portas à sua marcha, e para não deixar trancar os portões. 4 Por causa de meu servo Jacó, e de meu eleito Israel, chamei-te pelo nome; reservei-te, e não me reconheceste. 5 Eu sou o Senhor, não existe outro: fora de mim não há deus. Armei-te guerreiro, sem me reconheceres, 6 para que todos saibam do oriente ao ocidente, que fora de mim outro não existe. Eu sou o Senhor, não há outro".   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: Deus age através de um pagão
Deus, o Senhor da história, é quem dirige as nações e acontecimentos para dar liberdade e vida ao povo que a ele se aliou. Para realizar o seu projeto, Deus se serve da história dos povos, chegando mesmo a tomar um rei pagão para revesti-lo com a função de messias (ungido), própria dos reis de Israel. O Deus vivo não está confinado a um templo, nem a uma instituição, nem a determina estrutura de religião: o lugar eminente do seu agir é a história e a vida. Sabemos pela Bíblia, que Deus criou todas as coisas, que toda a criação é boa. A distinção entre o bem e o mal começa a partir do posicionamento que o homem toma adiante do projeto de Deus.

Salmo Responsorial - Sl 95(96),1 e 2a-3.4-5.7-8.9-10a e c       (R. 7ab)
R. Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!
1 Cantai ao Senhor Deus um canto novo, 2a cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! 3 manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! (R)
4 Pois Deus é grande e muito digno de louvor, é mais terrível e maior que os outros deuses; 5 porque um nada são os deuses dos pagãos. Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus. (R)
7 Ó família das nações, dai ao Senhor, ó nações, dai ao Senhor poder e glória, 8 dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! Oferecei um sacrifício nos seus átrios. (R)
9 Adorai-o no esplendor da santidade, terra inteira, estremecei diante dele! 10a Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” 10c pois os povos ele julga com justiça. (R)

Comentário: Deus vem para governar a terra
Hino à realeza de Deus, que vem para estabelecer o seu Reino de justiça
Este salmo é um louvor a Deus, proclamando a sua vitória sobre os ídolos das nações. A função do povo de Deus é testemunhar na história, através do louvor e da ação, o Deus vivo que derrota os ídolos. A proclamação central deste louvor é a realeza de Deus, soberano do universo e da história. Toda a comunidade é convidada a participar do louvor com que o povo aclama seu Deus. Sua realeza se estabelece na história à medida que a justiça triunfa sobre a injustiça. Em cada luta pela justiça, é o próprio Deus quem está vindo para reinar. Coloquemos nossa vida nas mãos de Deus, mas, sempre fazendo a nossa parte e vivendo de acordo com a vontade Dele, com certeza nos cobrirá de graças e bênçãos.

Segunda Leitura: Recordamo-nos sem cessar da vossa fé, da caridade e da esperança
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 1,1-5b: 1 Paulo, Silvano e Timóteo, à Igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: a vós, graça e paz! 2 Damos graças a Deus por todos vós, lembrando-vos sempre em nossas orações. 3 Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo. 4 Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos. 5b Porque o nosso evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força que é o Espírito Santo; e isso, com toda a abundância.   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: A palavra de verdade chegou até vós
O clima da vida cristã deve ser o de uma família, onde todos são irmãos junto com Cristo, tendo Deus como Pai. A trilogia fé-amor-esperança define a vida cristã na sua base, na sua concretização prática e no seu dinamismo histórico. A vida cristã nasce do compromisso de fé em Jesus Cristo, que significa aceitar a vida e a ação de Jesus e continuá-las entre os homens. O amor é a realização prática desse testemunho, através da partilha dos bens e da fraternidade, que concretizam o Reino de Deus no dia-a-dia da história. A esperança é o dinamismo que nasce do amor, alimentando a vida cristã, voltada para o futuro do Reino de Deus, isto é, para a realização plena da vida. Uma comunidade cristã vive a vida de todos os dias com disponibilidade interior de confiança e esperança para o amor de Cristo, encara a vida e o mundo com amor reconciliado. Às vezes nos perguntamos como reconhecer hoje e como viver sinais de ressurreição, anunciadores de um mundo novo. Tais sinais não são a grande luz, o grande milagre ou o grande gesto, mas sim o reino que nasce cada dia, como a sementinha que cai e morre, e frutifica. Quem quer que observe com olhar transparente uma comunidade que vive de fé, esperança e caridade, descobre nela aquilo que transforma e anuncia a presença ativa do Cristo ressuscitado.

Aclamação ao Evangelho Cf. Fl 2,15d.16a
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Como astros no mundo vós resplandeçais, mensagem de vida ao mundo anunciando, da vida a Palavra, com fé, proclameis, quais astros luzentes no mundo brilheis.     (R)

Evangelho: Dai, pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 22,15-21: Naquele tempo, 15 os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. 16 Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: "Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. 17 Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?" 18 Jesus percebeu a maldade deles e disse: "Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? 19 Mostrai-me a moeda do imposto!" Levaram-lhe então a moeda. 20 E Jesus disse: "De quem é a figura e a inscrição desta moeda?" 21 Eles responderam: "De César". Jesus então lhes disse: "Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus".   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: O povo pertence a Deus
O imposto era o sinal da dominação romana; os fariseus a rejeitavam, mas os partidários de Herodes a aceitavam. Se Jesus responde “sim”, os fariseus o desacreditarão diante do povo; se ele diz “não”, os partidários de Herodes poderá acusá-lo de subversão. Mas Jesus não discute a questão do imposto. Ele se preocupa é com o povo: a moeda é “de César”, mas o povo é “de Deus”. O imposto só é justo, quando reveste em benefício do bem comum. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação interna como a estrangeira. O novo povo de Deus pertence unicamente a Deus, e só Deus pode exigir do homem adoração. Jesus está em Jerusalém, por ocasião da Páscoa dos judeus. As perseguições que já vinha sofrendo na Galiléia, agora se aguçam com várias investidas dos chefes dos sacerdotes, fariseus e dos anciãos, proprietários de terras, e a consumação de seu ministério se aproxima. A estes chefes de Israel juntam-se os partidários de Herodes. Estes eram adeptos da realeza, os aliados mais próximos e servos de Herodes, preposto de César. Dirigem-se a Jesus com um acúmulo de elogios que já deixam transparecer a falsidade. São palavras cheias de malícia. Pretendem remover qualquer inibição ou bloqueio de Jesus afim de que ele fale realmente o que pensa! Perguntam se devem pagar o imposto a César. Esperavam uma resposta negativa, um ato de insubordinação, o que lhe mereceria a condenação por parte dos prepostos do império romano. A imposição de pesados impostos à Judéia já fora causa de uma revolta liderada por Judas, o Galileu, cerca de vinte e cinco anos antes. Jesus, realmente, diz o que pensa: chama-os de hipócritas e denuncia sua maldade em procurar armar-lhe ciladas. Mais adiante (Mt 23,1-32) ele voltará a denunciar detalhadamente a hipocrisia destes chefes religiosos da Judéia. Jesus pede que mostrem a moeda do imposto. Este devia ser pago em moeda romana, o denário. As moedas, correntes no comércio, eram os "out-doors" de propaganda do império, cunhadas com imagens e inscrições que exaltavam o imperador. De maneira pedagógica Jesus pergunta aos seus questionadores sobre de quem é a figura e a inscrição na moeda. Com a confirmação de que é de César Jesus conclui: "Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus". À questão sobre o "pagar" Jesus responde com o "devolver". A sutil resposta de Jesus, em primeiro lugar, remove o caráter divino do imperador: César e Deus são colocados separadamente. Por outro lado Jesus, com sua resposta, devolve a questão aos seus provocadores. Cabe a eles julgarem o que é de César e o que é de Deus. Sem dúvida poderão perceber que devolver a César o que é de César é erradicar de suas mentes toda ambição de riqueza e a idolatria do dinheiro. Devolver a Deus o que é de Deus é libertar seu povo e promover-lhe a vida, o que é a vontade e o projeto de Deus para toda a humanidade.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Nossa Senhora da Conceição Aparecida


Quarta-Feira da 28º STC - Ano A – Dia: 12/10/2011 - Cor: Branco

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira principal do Brasil

Primeira Leitura: Concede-me a vida do meu povo, eis o meu desejo!
Leitura do Livro de Ester 5,1b-2; 7,2b-3: 1b Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. 2 Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro. 7,2b Então, o rei lhe disse: "O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida". 3 Ester respondeu-lhe: "Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo!"  Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: O dom da vida
Enquanto os poderosos se embriagam e se alienam em banquetes para sustentar o próprio poder, os oprimidos se conscientizam e se preparam para agir, através da oração e do jejum. Noutras palavras, sua necessidade e clamor chegam ao limite e os impelem a tomar posição. As situações estão prestes a se inverter: através da fraqueza dos oprimidos (Ester), Deus começa a agir para quebrar a força dos poderosos e derrotar o poder do inimigo. Enquanto isso, os oprimidos, mesmo ameaçados, não se dobram diante do opressor. É a resistência dos oprimidos desmascarando a "verdade" do opressor e acelerando os acontecimentos. O pedido e o desejo de Ester são os mesmos de todo o povo: a vida. No entanto, para que todos tenham vida é preciso denunciar a perversidade do sistema opressor, que vende o povo para ser exterminado, morto e aniquilado. Além do mais, o que se ganha, destruindo o povo? A atitude de Ester é exemplo ousado para qualquer autoridade: ela arrisca a própria vida para salvar a vida do povo e a ele servir.

Salmo Responsorial - 44(45),11-12a.12b-13.14-15a.15b-16 (R. 11.12a)
R. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!
11 Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: "Esquecei vosso povo e a casa paterna! 12a Que o Rei se encante com vossa beleza!    (R)
12b Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor! 13 O povo de Tiro vos traz seus presentes, os grandes do povo vos pedem favores.  (R)
14 Majestosa, a princesa real vem chegando vestida de ricos brocados de ouro. 15a Em vestes vistosas ao Rei se dirige.   (R)
15b E as virgens amigas lhe formam cortejo; 16 entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real".  (R)

Comentário: Defender a verdade e a justiça
Elogio dedicado ao rei, por ocasião do casamento
Este salmo nos mostra que a função do rei é lutar pela verdade e justiça, defendendo o povo, principalmente em conflitos internacionais. Após explicar o novo estilo de vida da noiva, o salmo descreve sua entrada até o rei, para a cerimônia do casamento.

Segunda Leitura: Um grande sinal apareceu no céu
Leitura do Apocalipse de São João 12,1.5.13a.15-16ª: 1 Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 5 E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 13a Quando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. 15 A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. 16a A terra, porém, veio em socorro da mulher.  Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário:
A Mulher é um símbolo cheio de significados: é Eva, a mãe da humanidade (cf. Gn 3,15-20); também o povo de Israel (doze estrelas = doze tribos) assim como Sião, o resto do povo de Deus que espera o Messias (Is 66,7). É também Maria enquanto mãe de Jesus e mãe dos discípulos de Jesus (Jo 19,25-27), e o povo de Deus da nova Aliança (doze estrelas = doze apóstolos). O dragão personifica o mal, inimigo de Deus. Trata-se do egoísmo, orgulho e auto-suficiência que deformam os indivíduos e os grupos sociais. Ele é sanguinário (vermelho), tem pleno poder sobre os impérios do mundo (sete cabeças e sete diademas), mas sua força é relativa e imperfeita (dez chifres). Ele tem a pretensão de lutar contra Deus (estrelas do céu). Quer devorar o Filho da Mulher, o Messias que veio para destruí-lo. O Filho é Jesus, que nasce (ressurreição) para a glória e para dominar as nações, destruindo o poder do dragão. O mal foi derrotado. Agora a situação do povo de Deus é como a dos hebreus no deserto, libertados da escravidão: viverá no deserto até o fim da história, em meio a perseguições e na intimidade com Deus. O mal não conseguiu vencer Jesus; por isso agora persegue os cristãos seguidores de Jesus. Mas estes são continuamente protegidos por Deus, até o final da história. É tempo de perseguição (rio) mas, como no Êxodo, o povo de Deus não sucumbe.

Aclamação ao Evangelho Jo 2,5b
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Disse a Mãe de Jesus aos serventes: fazei tudo o que Ele disser!  (R)

Evangelho: Fazei o que ele vos disser
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 2,1-11: Naquele tempo, 1 houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava presente. 2 Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3 Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho". 4 Jesus respondeu-lhe: "Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou". 5 Sua mãe disse aos que estavam servindo: "Fazei o que ele vos disser". 6 Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. 7 Jesus disse aos que estavam servindo: "Enchei as talhas de água". Encheram-nas até a boca. 8 Jesus disse: "Agora tirai e levai ao mestre-sala". E eles levaram. 9 O mestre-sala experimentou a água que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10 O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!" 11 Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.    Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: A transformação da água em vinho
Segundo João, a primeira semana de Jesus termina com a festa de casamento em Cana. João relata este episódio por causa do seu aspecto simbólico: o casamento é o símbolo da união de Deus com a humanidade, realizada de maneira definitiva na pessoa de Jesus, Deus-e-Homem. Sem Jesus, a humanidade vive uma festa de casamento sem vinho. Maria, aliviando a situação constrangedora, simboliza a comunidade que nasce da fé em Jesus, e as últimas palavras que ela diz neste evangelho são um convite: “Façam o que Jesus mandar”. Jesus diz que a sua hora ainda não chegou, pois só acontecerá na sua morte e ressurreição, quando ele nos reconcilia com Deus. Jesus utilizou a água que os judeus usavam para as purificações. Os judeus estavam cegos pela preocupação de não se mancharem, e sua religião multiplicava os ritos de purificação. Mas Jesus transformou a água em vinho! É que a religião verdadeira não se baseia no medo do pecado. O importante é receber de Jesus o Espírito. Este, como vinho generoso, faz a gente romper com as normas que aprisionam e com a mesquinhez da nossa própria sabedoria. O episódio de Cana é uma espécie de resumo daquilo que vai acontecer através de toda a atividade de Jesus: com sua palavra e ação, Jesus transforma as relações dos homens com Deus e dos homens entre si. Maria, como mãe de Jesus, o Filho de Deus, é revestida de imensa glória. Sua proximidade do Filho permite que seja um apoio para nossa fé. Maria nos conduz a Jesus. Pois é a si próprio que Jesus chama a todos para segui-lo como discípulos. O evangelista João fala sempre em "a mãe de Jesus", sem dizer seu nome. "Mãe", com seu sentido de origem do ser, representa a maternidade universal e divina de Maria, gerando para a vida eterna. A nossa piedade vê, neste evangelho, o importante papel de Nossa Senhora no projeto salvífico de Deus. Ela é sensível às nossas necessidades, e intercede por nós junto a seu Filho. E Jesus atende aos apelos de sua mãe. Em Ester (primeira leitura) a tradição encontrou uma similitude com Maria: ela intercede junto ao rei por seu povo. No Apocalipse, a mulher celestial que dá à luz um filho homem (segunda leitura), também encontramos uma alusão à Maria. Aqui podemos, ainda, ver uma referência à Igreja, na terra, perseguida pela Serpente. No evangelho de João temos uma simbologia abrangente. Jesus está inaugurando seu ministério. Nele encontramos algo extraordinariamente novo, que extrapola as expectativas e observâncias do judaísmo. Na tradição profética, a Aliança de Deus com seu povo é apresentada como uma núpcias. Nesta narrativa de João, a festa de núpcias não oferece vinho suficiente. Haviam seis talhas de pedra, vazias, destinadas às purificações rituais dos judeus, que foram preenchidas com água. A água de purificação não é solução. É preciso transformá-la. A atual prática do judaísmo deixa a desejar. A mãe de Jesus percebe o problema. Com seu simbolismo, João não pretende realçar a relação amorosa, mãe-filho, mas sim a relação de maternidade entre Maria e a humanidade. Jesus afirma que não é a "sua hora", a hora de sua glorificação na cruz, que consagra uma vida toda dedicada à renovação do mundo pelo amor, até o fim, sem temer a morte. Contudo Jesus resolve sinalizar sua "hora", e associa a água, fonte da vida, ao vinho, fonte de alegria! O amor de Jesus liberta da Lei e gera vida e alegria.