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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Liturgia Dominical do dia 18 de Setembro de 2011


25º DTC - Ano A - Dia 18/09/2011 - Cor: Verde

Primeira Leitura: Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos
Leitura do Livro do Profeta Isaías 55,6-9: 6 Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto. 7 Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão. 8 Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor. 9 Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra.   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: Deus oferece a vida
Numa sociedade dominada pelo ídolo dinheiro, o povo gasta tudo o que tem e acaba na sede e fome. O profeta convida a uma nova aliança com Deus que coloca a vida humana como supremo valor, transformando todas as relações sociais e assegurando a todos alimento e dignidade. A realização desse projeto atrairá os povos, porque verão que esse é o verdadeiro projeto para a vida. Deus tem um projeto de verdadeira realização para a história: liberdade e vida para todos. Esse projeto é revelado aos homens através da Palavra que, gerando acontecimentos, concretiza o projeto de Deus. A sabedoria do homem consiste em procurar Deus, isto é, converter-se para ele, ouvir a sua palavra e tornar-se aliado seu na luta em prol da liberdade e vida para todos.

Salmo Responsorial - Sl 144(145),2-3.8-9.17-18 (R. 18a)
R. O Senhor está perto da pessoa que o invoca!
2 Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. 3 Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza. (R)
8 Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. 9 O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura. (R)
17 É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. 18 Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente. (R)

Comentário: Deus merece o louvor
Hino de louvor ao Nome e ao amor de Deus, testemunhos da história
O louvor ao Nome, revelado no momento da grande libertação, recorda que o Deus vivo é o libertador. O louvor é um reconhecimento das obras que Deus realiza na história. Transmitido de geração em geração, esse louvor mantém a fé que constrói a história segundo o projeto de Deus. O centro desse projeto é o amor de Deus criando liberdade e vida. O Reino de Deus é o amor partilhado entre todos os homens, para eliminar as divisões e desigualdades. O amor de Deus, porém, age de forma partidária, assumindo a causa dos oprimidos que o invocam e colocando-se contra os opressores. Termina com o convite para que todos reconheçam a santidade do Deus libertador.

Segunda Leitura: Para mim, o viver é Cristo
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses 1,20c-24.27ª: Irmãos: 20c Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte. 21 Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. 22 Entretanto, se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que escolher. 23 Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo - o que para mim seria de longe o melhor -, 24 mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo. 27a Só uma coisa importa: vivei à altura do Evangelho de Cristo.  Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: Viver para Cristo
Paulo provavelmente tem meios para ser solto da prisão e escapar à morte. Mas encontra-se num dilema: viver ou morrer? No contexto da sua fé, as duas coisas se equivalem: viver é estar em função de Cristo, ou seja, da evangelização; e morrer é lucro, pois leva a estar com Cristo. Paulo resolve o dilema, não levando em conta seu próprio interesse, mas o que é melhor para a comunidade: continuar vivo, para ajudar os filipenses a crescer e se realizar plenamente na fé.

Aclamação ao Evangelho Cf. At 16,14b
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Vinde abrir o nosso coração, Senhor; ó Senhor, abri o nosso coração, e, então, do vosso Filho a palavra, poderemos acolher com muito amor!   (R)

Evangelho: Estás com inveja porque eu estou sendo bom?
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus  20,1-16ª: Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: 1 "O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 As nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4 e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo'. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: 'Por que estais aí o dia inteiro desocupados?' 7 Eles responderam: 'Porque ninguém nos contratou'. O patrão lhes disse: 'Ide vós também para a minha vinha'. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: 'Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!' 9 Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 'Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'. 13 Então o patrão disse a um deles: 'Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?' 16a Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos". Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: Ide para a minha vinha!
No Reino não existem marginalizados. Todos têm o mesmo direito de participar da bondade e misericórdia divinas, que superam tudo o que os homens consideram como justiça. No Reino não há lugar para o ciúme. Aqueles que julgam possuir mais méritos do que os outros devem aprender que o reino é dom gratuito. A vinha, no contexto bíblico, simboliza o povo de Israel. Já os profetas serviram-se desta metáfora para falar ao povo. A vinha aponta para a predileção da qual Israel era objeto por parte de Deus. Como o vinhateiro prepara a terra, planta mudas escolhidas, cuida delas com muito carinho e as protege, na esperança de que produzam frutos de qualidade, também Deus, no trato com o seu povo, desdobra-se em atenção para que corresponda ao que espera dele. Jesus rompeu a concepção de sua época, ensinando que a benevolência divina não era exclusiva de Israel. A vinha de Deus, na verdade, era a humanidade inteira, toda ela destinatária da Boa Nova da salvação e convidada a viver em comunhão com o Pai. Cessam todos os privilégios tanto de Israel quanto de qualquer outro povo que queira assenhorear-se com exclusividade da vinha, ou seja, do Reino de Deus. Deixa de ter sentido, em termos de garantir a precedência no Reino: a quantidade ou a qualidade do serviço prestado, a antiguidade, as funções e cargos exercidos em favor da comunidade. E até mesmo as diferenças de caráter étnico, cultural, social ou de gênero. Por se tratar de uma adesão livre e gratuita ao chamado do Senhor do Reino, ninguém tem o direito de exigir recompensa, muito menos de julgar-se merecedor de maior recompensa. Basta-lhe a consciência de saber-se humilde servidor! As parábolas narrativas são caracterizadas por sua extensão e por seus detalhamentos. Esta de hoje é exclusiva de Mateus. No cenário aparecem o dono da vinha, imagem característica na tradição de Israel, e os trabalhadores desocupados na praça, cena característica de uma cidade grega. Uma parábola dá margem a uma pluralidade de interpretações. Estes "desocupados" não eram indolentes, mas curtiam a amargura da busca de um trabalho para a sobrevivência diária, excluídos pelo sistema social. Comumente se vê na parábola a expressão da simples generosidade do proprietário que convocou os operários. Com pena dos últimos, decidiu dar-lhes o mesmo que aos outros. Outra interpretação pode ser a compreensão do significado do trabalho. O trabalho não é mercadoria que se vende, avaliado pela eficiência do trabalhador que produz. O trabalho é o meio de subsistência das pessoas e da família, bem como é serviço à comunidade, pela partilha de seus frutos. Todos têm direito ao essencial para a sua sobrevivência. Na parábola, a todos foi dado o necessário para a sobrevivência de um dia, independentemente da quantidade de sua produção. O fruto do trabalho é uma extensão do próprio trabalhador. A venda deste fruto por um salário é uma alienação da dignidade do trabalhador e da trabalhadora. É vender uma parte do seu ser, uma extensão de seu próprio corpo, para a acumulação de riqueza e prazer de outro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Liturgia Dominical do dia 11 de Setembro de 2011


24º DTC - Ano A - Dia 11/09/2011 - Cor: Verde

Primeira Leitura: Perdoa a injustiça cometida por teu próximo; quando orares, teus pecados serão perdoados
Leitura do Livro do Eclisiástico 27,33-28,9: 33 O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. 28,1 Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados. 2 Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. 3 Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir  Deus a cura? 4 Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados? 5 Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão para os seus pecados? 6 Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; 7 pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos. 8 Pensa nos mandamentos, e não guardes rancor ao teu próximo. 9 Pensa na aliança do Altíssimo, e não leves em conta a falta alheia!   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: Perdoe, e você será perdoado
Somente Deus conhece o mais fundo da nossa vida e história. Por isso, só ele pode avaliar e julgar nossos atos, fazendo justiça. O texto leva diretamente ao "Pai nosso": "Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". "Se vocês não perdoarem aos homens, o Pai de vocês também não perdoará os males que vocês tiverem feito" (Mt 6,15).

Salmo Responsorial - Sl 102(103),1-2.3-4.9-10.11-12 (R. 8)
R. O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso;
1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! 2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores! (R)
3 Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda sua enfermidade; 4 da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão; (R)
9 Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eterna-mente o seu rancor. 10 Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas. (R)
11 Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; 12 quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes. (R)

Comentário: Deus é amor
Hino de louvor, celebrando o amor de Deus
Este salmo nos mostra que a experiência fundamental do amor de Deus vem através do perdão, que liberta do mal e refaz a vida. O amor de Deus, porém, se expressa através da justiça que defende os que não têm defesa, realizando uma história nova, a partir deles. Os versículos 8-14 mostram a dimensão infinita desse amor, que se compara ao de um pai para com seus filhos. Voltado para o homem, esse amor de Deus se realiza na compaixão, que é sofrer junto com os que participam da condição humana.

Segunda Leitura: Quer vivamos, quer morramos, pertecemos ao Senhor
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 14,7-9: Irmãos, 7 ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. 8 Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. 9 Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: Vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor
O julgamento humano é parcial e corre sempre o risco de ser injusto. Só Deus pode julgar objetivamente, porque só ele conhece o íntimo do homem e seus atos. Diante de Deus, cada um deverá responder por si mesmo. Cada um, portanto, deve aprofundar e esclarecer a própria consciência, vivendo segundo as convicções que tem. Julgar “os outros” é tentação frequente. Paulo defende a liberdade de consciência, mas não gostaria de ver cristãos que se julgam libertos de certas coisas julgar seus irmãos que as adotam. Até certo ponto é necessário bem compreender que, também na Igreja, não é com discussão que se resolvem os problemas, mas pondo em prática aquilo que nos une. Procure-se no diálogo partir não do que é externo, pró ou contra determinadas práticas ou modos de agir, mas do íntimo, de Cristo vivido como motivação fundamental. O cristão que não sabe orar seriamente, nunca terá capacidade para o diálogo, Provavelmente convém não falar muito apressadamente de “consciência”, se antes não soubermos tomar o Cristo crucificado como ponto de referência fundamental.

Aclamação ao Evangelho Jo 13,34
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Eu vos dou este novo Mandamento, nova ordem, agora, vos dou; que, também, vos ameis uns aos outros como eu vos amei, diz o Senhor.   (R)

Evangelho: Não te digo perdoar até sete vezes, mas até setenta vezes sete
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 18,21-35: Naquele tempo, 21 Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" 22 Jesus respondeu: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” 23 Porque o reino dos céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25 Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a divida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo'. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei'. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32 Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: 'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33 Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?' 34 O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão". Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: Dar e receber perdão
Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão. Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai, um perdão sem limites. A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos, esse perdão que cada um recebeu. Só é capaz de perdoar o próximo quem, de fato, faz a experiência de sentir-se perdoado por Deus. Pelo contrário, quem se mostra inflexível e incapaz de perdoar, dá mostras de não reconhecer o quanto foi perdoado por Deus. A insensibilidade em relação ao dom recebido de Deus torna impossível a concessão de perdão ao próximo. A simples consciência da imensidade do perdão recebido de Deus deveria ser suficiente para motivar as pessoas a perdoar. A parábola do servo cruel está centrada neste tema. Quando se tratou de ser perdoado pelo rei que lhe havia emprestado uma quantia enorme de dinheiro, e não tinha com que pagar, o servo suplicou-lhe clemência e tempo. Comovido, o rei deixou-o partir, perdoando-lhe toda a dívida. Logo em seguida, porém, ao encontrar um companheiro que lhe devia uma quantia irrisória, foi incapaz de sensibilizar-se quando este lhe pediu tempo e clemência para quitar seu débito. E mandou aprisioná-lo. O rei ficou indignado. Parecia-lhe evidente que, assim como o servo havia sido objeto de compaixão, tendo recebido o perdão de sua dívida, o mesmo deveria ter feito com seu companheiro. Por conseguinte, a falta de compaixão para com o próximo impede que se faça a experiência da compaixão de Deus. Deus perdoa a quem está disposto a perdoar. Uma das características fundamentais da revelação do amor de Deus em Jesus é o perdão, fruto da misericórdia. Na antiga Lei predominavam o revide à agressão e o extermínio do inimigo. A interrogação de Pedro a Jesus indica uma tolerância limitada à ofensa. A resposta de Jesus, com a figuração numérica de "setenta vezes sete", revela que o perdão não tem limites. Só quem se julga justo é que mede até onde se perdoa e dispõe-se a condenar. Nesse sentido segue a parábola narrada por Jesus. Aquele que é perdoado não pode negar seu perdão a outrem. Quem toma consciência de que recebeu o infinito perdão do Deus misericordioso, deve perdoar sem limites. A proposta do perdão sem limites remove a idéia da vingança e da prevenção contra o "inimigo”. No Primeiro Testamento predomina o revide à agressão, e o extermínio do "inimigo", o qual é mencionado em 56 Salmos. Quaresma é tempo de perdão, conforme pedimos na oração do Pai Nosso.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Liturgia do dia 07/09/2011


Quarta-Feira da 23ª STC - Ano A - Dia 07/09/2011 - Cor: Verde

Primeira Leitura: Morrestes com Cristo; mortificai também vossos membros
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses 3,1-11: Irmãos, 1 se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; 2 aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. 3 Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. 4 Quando Cristo, vossa vida; aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. 5 Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. 6 Tais coisas provocam a ira de Deus contra os que lhe resistem. 7 Antigamente vós estáveis enredados por estas coisas e vos deixastes dominar por elas. 8 Agora, porém, abandonai tudo isso: ira, irritação, maldade, blasfêmia, palavras indecentes, que saem dos vossos lábios. 9 Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir 10 e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu criador, em ordem ao conhecimento. 11 Aí não se faz distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, inculto, selvagem, escravo e livre, mas Cristo é tudo em todos.   Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário: Morrestes com Cristo; mortificai também vossos membros
Paulo não despreza as realidades terrestres. “Procurar as coisas do alto” significa descobrir a vida nova revelada em Jesus Cristo. O cristão já participa da vida que Jesus vive no mistério de Deus. Essa purificação deve crescer e concretizar-se cada vez mais na história; quando Jesus estiver plenamente manifesto através do testemunho dos cristãos, então essa participação também se tornará completamente manifesta. Estes, conhecendo a vida de Cristo são capazes de discernir e criticar tudo o que não conduz à plena realização humana. Através do batismo, os cristãos passam por uma transformação radical: deixam de pertencer à velha humanidade corrompida (homem velho) e começam a pertencer à nova humanidade (homem novo), que é a criação realizada em Cristo, o novo Adão, imagem de Deus. Na comunidade cristã, semente da nova humanidade, não se admitem distinções de raça, religião, cultura ou classe social: todos são iguais e participam igualmente da vida de Cristo. A transformação é coisa prática: deixar as ações que visam egoisticamente aos próprios interesses, em troca de ações a serviço da reconciliação mútua e do bem comum. Ser “ressuscitado com Cristo” é coisa extraordinária, ao mesmo tempo graça e “morte”. Isto não significa que deva o cristão viver de experiências religiosas extraordinárias. Pelo contrário, a existência cristã é hoje mais do que nunca desprovida de “êxito” aparente. Não tem, sobretudo hoje, as grandes possibilidades de luz e conquista do cristianismo primitivo, mas na sinceridade da fé e na “cotidianidade” assume nova qualidade de transparência, pureza, coragem, abandono. Este estilo é a “salvação” do cristão. Exige que ele saiba passar da vaidade dos sentidos à verdade oculta e profunda do coração. Cumpre ir até o fundo da existência humana, renovar as estruturas interiores até deixar transparecer em si a imagem de Deus (v.10). Isto é ser o fermento escondido na massa e requer coração de pobre. Então, só assim, é possível a celebração viva do Ressuscitado.

Salmo Responsorial - Sl 144(145),2-3.10-11.12-13ab (R. 9a)
R. O Senhor é muito bom para com todos.
2 Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. 3 Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.   (R)
10 Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! 11 Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!    (R)
12 Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. 13a O vosso reino é um reino para sempre, 13b vosso poder, de geração em geração.   (R)

Comentário: Deus merece o louvor
Hino de louvor ao Nome e ao amor de Deus, testemunhos da história
O louvor ao Nome, revelado no momento da grande libertação, recorda que o Deus vivo é o libertador. O louvor é um reconhecimento das obras que Deus realiza na história. Transmitido de geração em geração, esse louvor mantém a fé que constrói a história segundo o projeto de Deus. O centro desse projeto é o amor de Deus criando liberdade e vida. O Reino de Deus é o amor partilhado entre todos os homens, para eliminar as divisões e desigualdades.

Aclamação ao Evangelho Lc 6,23ab
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Meus discípulos, alegrai-vos, exultai de alegria, pois, bem grande é a recompensa, que nos céus tereis, um dia! (R)

Evangelho: Bem-aventurados vós, os pobres. Mas, ai de vós, ricos.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 6,20-26: Naquele tempo, 20 Jesus levantando os olhos para os seus discípulos, disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus! 21 Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir! 22 Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do homem! 23 Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. 24 Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! 25 Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! 26 Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas".   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: Uma palavra de esperança
O povo vem de todas as partes ao encontro de Jesus, porque a ação dele faz nascer a esperança de uma sociedade nova, libertada da alienação e dos males que afligem os homens. Os versículos 20-26 proclamam o cerne de toda a atividade de Jesus: produzir uma sociedade justa e fraterna, aberta para a novidade de Deus. Para isso, é preciso libertar os pobres e famintos, os aflitos e os que são perseguidos por causa da justiça. Isso, porém, só se alcança denunciando aqueles que geram a pobreza e a opressão e depondo-os dos seus privilégios. Não é possível abençoar o pobre sem libertá-lo da pobreza. Não é possível libertar o pobre da pobreza sem denunciar o rico para libertá-lo da riqueza. As palavras de Jesus dirigem-se aos pobres que tem diante de si. Servindo-se da segunda pessoa do plural "vós", seu discurso destina-se aos que são carentes de bens materiais, vindo até mesmo a passar fome; aos que choram, talvez porque tiveram seus direitos negados e sua dignidade aviltada; aos que são vítimas de calúnia, ódio e perseguição, devendo levar uma vida difícil de privação dos bens necessários para viver dignamente. Portanto, um grupo de pessoas carentes de palavras de esperança. As bem-aventuranças visam infundir ânimo e coragem a quem se encontra nesta situação de penúria. Sobretudo os pobres devem ter a certeza de que Deus está do lado deles, e que o Reino lhes pertence. Deus mesmo haverá de saciá-los, consolá-los e ser para eles motivo de alegria. A outra face da moeda é representada pelos ricos, pelos fartos, pelos folgazões e pelos que estão preocupados com a fama, a qualquer preço. Estes também encontram-se diante de Jesus, e são o alvo das invectivas que lhe são lançadas com tanta veemência. É provável que fossem eles a causa da situação de carência dos demais, sem se darem conta. Por isso, são declarados malditos. Falta-lhes sensibilidade, pois em seus corações não há lugar para a misericórdia. Isto justifica a severidade com que serão tratados, se não se converterem urgentemente, fazendo-se atentos aos apelos dos necessitados. Tanto Lucas como Mateus, apresentam a proclamação das bem-aventuranças por Jesus, porém cada um mantêm seu estilo e sua intenção teológica próprios. Em Mateus temos oito bem-aventuranças, proclamadas na montanha, pelo que Jesus é associado a Moisés com seu decálogo. Em Lucas são quatro bem-aventuranças, na planície, isto é, no meio da grande multidão. As quatro bem-aventuranças de Lucas exprimem situações objetivas de exclusão: pobreza, fome, lágrimas e perseguições. Elas estão mais próximas das fontes da tradição. Os pobres são os destinatários das bem-aventuranças. Eles são as vítimas da sociedade exploradora e excludente. Seguem quatro "ais" dirigidos aos ricos, que são os beneficiários de tal tipo de sociedade. Uma das características do evangelho de Lucas é a denuncia da divisão sócio-econômica entre pobreza e riqueza.