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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Liturgia do dia 15 de Junho de 2001


Quarta-Feira da 11ª Semana do Tempo Comum - Bv. Albertina Berkembrock
Ano A - Dia 15/06/2011 - Cor: Verde

Primeira Leitura: Deus ama quem dá com alegria
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: 9,6-11: Irmãos, 6 "quem semeia pouco colherá também pouco e quem semeia com largueza colherá também com largueza". 7 Dê cada um conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento; pois Deus "ama quem dá com alegria". 8 Deus é poderoso para vos cumular de toda sorte de graças, para que, em tudo, tenhais sempre o necessário e ainda tenhais de sobra para toda obra boa, 9 como está escrito: "Distribuiu generosamente, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre". 10 Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará o pão como alimento, ele mesmo multiplicará as vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça. 11 Assim, ficareis enriquecidos em tudo e podereis praticar toda espécie de liberalidade, que, através de nós, resultará em ação de graças a Deus.  Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário: Deus ama quem dá com alegria
Volta o tema da coleta, como se nada tivesse sido falado no capítulo anterior. Na opinião de alguns estudiosos, Paulo escreveu também um bilhete dirigido à igrejas da região de Corinto. É possível que 2Cor 9 seja esse bilhete, colocado aqui por tratar o mesmo assunto do capítulo 8. Toda essa preocupação pela coleta em favor dos necessitados da comunidade de Jerusalém demonstra que, desde o início, o econômico também fazia parte do testemunho cristão. A partilha e a solidariedade em favor dos mais pobres não se manifestavam só na própria comunidade, mas eram sinal de unidade entre as diversas comunidades. Esse intercâmbio material não era questão periférica da fé, mas autêntico veículo de comunicação do “dom extraordinário” de Deus e obediência ao Evangelho de Cristo. “Deus ama a quem dá com alegria” (versículo 7). Muitas das tragédias pequenas ou grandes, conhecidas ou anônimas, que envolvem continuamente o mundo, são no fundo lutas para roubar uma pequenina migalha de alegria aparente, posta no dinheiro, no prazer ou no poder. Quer-se tomar, sobretudo “tomar para si”. Ao contrário, diz-nos a Escritura que a alegria está em dar, em dar-se. Dando, enriquecemo-nos. É uma alegre economia, que não está descrita em nossas cotações de bolsa ou nos boletins das transações comerciais, mas que acaba por dar a todos um valor, embora em outro plano. A Bíblia nos apresenta novo modelo de desenvolvimento, que não teme recessões nem inflações. Mas exige de cada um de nós e de nossa sociedade uma mentalidade de administradores, não de senhores dos bens (materiais e espirituais).

Salmo Responsorial - Sl 111(112),1-2.3-4.9   (R. 1a)
R. Feliz aquele que respeita o Senhor! Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
1 Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! 2 Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!    (R)
3 Haverá glória e riqueza em sua casa, e permanece para sempre o bem que fez. 4 Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos.  (R)
9 Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.   (R)

Comentário: Retrato do homem justo
Meditação sapiencial, caracterizando o ser e o comportamento do justo
Toda a existência do justo tem como ponto de partida o temor de Deus. Esse temor se manifesta nas relações sociais fraternas e justas. O versículo 6 apresenta a idéia mais antiga a respeito da ressurreição: a lembrança permanente da vida do justo, cujo testemunho permanece sempre vivo na memória do povo. O justo está permanentemente voltado para a partilha da vida com os outros.

Aclamação ao Evangelho: Jo 14,23
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará e a ele nós viremos.    (R)

Evangelho: Teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus: 6,1-6.16-18: Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1 "Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2 Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3 Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4 de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5 Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6 Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. 16 Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: Eles já receberam a sua recompensa. 17 Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18 para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa".  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: Obras de piedade
O termo justiça se refere, aqui, a atitudes práticas em relação ao próximo (esmola), a Deus (oração), e a si mesmo (jejum). Jesus não nega o valor dessas práticas. Ele mostra como devem ser feitas para que se tornem autênticas. A esmola é um gesto de partilha, e deve ser o sinal da compaixão que busca a justiça, relativizando o egoísmo da posse. Dar esmola para ser elogiado é servir a si mesmo e, portanto, falsificá-la. Na oração, o homem se volta para Deus, reconhecendo-o como único absoluto, e reconhecendo a si mesmo como criatura, relativizando a auto-suficiência. Por isso, rezar para ser elogiado é colocar-se como centro, falsificando a oração. Jejuar é privar-se de algo imediato e necessário, a fim de ver perspectivas novas e mais amplas para realização da vida. Trata-se de deixar o egocentrismo, para crescer e dispor-se a realizar novo projeto de justiça. Jejuar para aparecer é perder de uma vez o sentido do jejum. A religião judaica dava grande importância à esmola, à oração e ao jejum como práticas de piedade, embora não fossem expressamente prescritas pela Lei. Os discípulos de Jesus, enquanto herdeiros da tradição judaica, tinham consciência do valor destas práticas como forma de expressar uma relação profunda com o próximo (esmola), com Deus (oração) e consigo mesmo (jejum). O cuidado de Jesus visava orientá-los sobre a maneira correta de praticá-las. A preocupação do Mestre ia além dessas três práticas tradicionais de piedade. Ele queria ensinar os seus discípulos como ser piedoso. Existe uma maneira de ser piedoso com a preocupação de ser visto e louvado pelos outros. Era a preocupação própria dos hipócritas e exibidos. Mas existe também, outro modo de ser piedoso, que consiste em colocar-se em profunda comunhão com o Pai, que vê as coisas ocultas, e reconhece a sinceridade de coração de quem pretende ser-lhe agradável. "Agir em segredo" não é o mesmo que fazer "ações secretas". Mesmo quando age em público, o coração do discípulo está centrado no Pai, e só a ele procura agradar. Eventuais recompensas humanas são irrelevantes para ele, comparadas com as que o Pai lhe reserva. No Sermão da Montanha, Jesus substitui a Lei do Primeiro Testamento por seu novo ensinamento, repetindo o refrão: "Ouvistes o que foi dito... eu, porém, vos digo...". Agora, Jesus detém-se sobre as três obras de piedade da Lei: a esmola, a oração e o jejum. A observância destas obras levava mais a adquirir-se uma "boa consciência" do que a um compromisso concreto, interior e exterior, de comunhão com o próximo e com Deus. No despojamento, na partilha e na oração, saímos de nós mesmos, somos libertados de nossa opressão interior, abandonados nas mãos de Deus, no encontro com a vida.
Reflexão do dia: “Oração, esmola e jejum”.
Esta narrativa contém três importantes ensinamentos. O primeiro é a recomendação de que precisamos banir a vaidade e o orgulho de nossa prática da lei evangélica. O segundo é que precisamos fazer o bem diante de Deus e não diante dos homens, ou para nossa própria segurança. O terceiro ensinamento é de que, por maio do jejum, podemos perceber horizontes novos para a nossa vida, podemos crescer além do que já somos, fazendo coisas diferentes daquelas que já fazemos. Jesus revela-nos aqui um dos tópicos-chave do Sermão da Montanha: seus discípulos precisam ser perfeitos na imitação de Deus e não dos homens, sendo responsáveis somente perante Deus.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Liturgia do dia 12 de Junho de 2011


Domingo de Pentecostes
Ano A - Dia 12/06/2011 - Cor: Vermelho

Primeira Leitura: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar

Leitura dos Atos dos Apóstolos 2,1-11
1 Quando chegou o dia de pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2 De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 3 Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. 5 Moravam em Jerusalém judeus devotos de todas as nações do mundo. 6 Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. 7 Cheios de espanto e de admiração, diziam: "Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8 Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9 Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10 da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11 judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!"   Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar
O relato é simbólico. De fato, quando o autor escreveu, as comunidades cristãs já se haviam espalhado por todas as regiões aqui mencionadas. Lucas quer mostrar o que está na base de qualquer comunidade cristã: o Espírito Santo faz lembrar, compreender e continuar o testemunho de Jesus (cf. Jo 14,26; 16,12-15). Pentecostes, celebrado cinqüenta dias depois da Páscoa, comemorava a Aliança e o dom da Lei. No novo Pentecostes, Deus entrega o seu Espírito, realizando a nova Aliança, dessa vez com toda a humanidade (doze nações). A “língua” da comunidade da nova Aliança é o testemunho de Jesus, ou seja, o Evangelho, cujo centro é o amor de Deus que reúne os homens, provocando relação e entendimento (o contrário de Babel: cf. Gn 11,1-9). Mas o testemunho provoca conflitos (versículo 13).

Salmo Responsorial - Sl 103(104),1ab.24ac.29.bc-30.31.34    (R. cf. 30)
R. Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
1a Bendize, ó minha alma, ao Senhor! b Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! 24a Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras! c Encheu-se a terra com as vossas criaturas!    (R)
29b Se tirais o seu respiro, elas perecem c e voltam para o pó de onde vieram. 30 Enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais.   (R)
31 Que a glória do Senhor perdure sempre, e alegre-se o Senhor em suas obras! 34 Hoje seja-lhe agradável o meu canto, pois o Senhor é a minha grande alegria!    (R)

Comentário: Hino ao Senhor da vida
Hino de louvor, cantando a grandeza de Deus, testemunhada no ciclo da natureza. É uma cópia adaptada do hino egípcio ao deus sol
Este salmo celebra a grandeza de Deus envolvido pela imensidão do universo. Mostrando o ritmo harmônico da natureza, em que coexistem pacificamente plantas, animais e seres humanos. Dia e noite delimitam o espaço do homem e das feras. Os versículos 24-26 contemplam a multiplicidade, beleza e imensidão das criaturas. Enquanto os animais se alimentam diretamente da natureza, o homem precisa transformá-la através do trabalho. O mistério da vida é visto como o mistério da respiração: sopro de Deus que cria, vivifica e renova. Neste louvor, o homem reconhece o mistério da natureza, descobrindo nele o próprio mistério de Deus.

Segunda Leitura: Fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 12,3b-7.12-13
Irmãos, 3b ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4 Há diversidade de dons; mas um mesmo é o Espírito. 5 Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6 Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7 A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 12 Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13 De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.  Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

Comentário: A Trindade gera a comunidade, e a comunidade é o Corpo de Cristo
A Trindade é a base sobre a qual a comunidade se constrói: nesta, toda ação provém do Pai, todo serviço provém de Jesus e todos os dons (=carismas) provém do Espírito. Cada pessoa na comunidade recebe um dom, ou melhor, é um dom para o bem de todos. Por isso, cada um, sendo o que é e fazendo o que pode, age para o bem da comunidade, colocando-se a serviço de todos como dom gratuito. Desse modo, cada um e todos se tornam testemunho e sacramento da ação, serviço e dom do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Paulo enumera apenas os carismas de direção e ensino. A lista não é completa, pois cada pessoa é um carisma para a comunidade toda. A imagem do corpo é usada para falar da unidade, diversidade e solidariedade que caracterizam a comunidade cristã. Essa é uma, porque forma o corpo de Cristo, dado que todos receberam o mesmo batismo e o mesmo Espírito, que produzem a comunhão e igualdade fundamental. Contudo, as pessoas são diferentes entre si; cada uma com sua originalidade contribui, de maneira indispensável, para a construção e crescimento de todos; portanto, não há lugar para complexos de superioridade ou inferioridade. O cimento da vida comunitária é a solidariedade, que faz todos voltar-se para cada um, principalmente para os mais fracos e necessitados, partilhando os sofrimentos e alegrias.

Aclamação ao Evangelho
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Vinde, Espírito Divino, e enchei com vossos dons os corações dos fiéis, e acendei neles o amor, como fogo abrasador!    (R)

Evangelho: Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 20,19-23
19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco". 20 Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21 Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio". 22 E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos".   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: A paz esteja com vocês
O medo impede o anúncio e o testemunho. Jesus liberta do medo, mostrando que o amor doado até à morte é sinal de vitória e alegria. Depois, convoca seus seguidores para a missão no meio do mundo, infunde neles o Espírito da vida nova e mostra-lhes o objetivo da missão: continuar a atividade dele, provocando o julgamento. De fato, a aceitação ou recusa do amor de Deus, trazido por Jesus, é o critério de discernimento que leva o homem a tomar consciência da sentença que cada um atrai para si próprio: sentença de libertação ou de condenação. João delimita bem o primeiro dia da ressurreição. A narrativa começa com a ida de Maria Madalena, "no primeiro dia da semana... de madrugada... quando ainda estava escuro...". Agora, "ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana", Jesus manifesta-se aos discípulos reunidos. É um dia completo, que começa com a insegurança do túmulo vazio e termina, em plenitude, com a presença de Jesus ressuscitado, com sua paz e o dom do Espírito Santo. Com este dia inaugura-se a plenitude dos tempos. Nesta narrativa de João, o dom do Espírito Santo se dá com o sopro de Jesus sobre os discípulos. A palavra "espírito" tem origem no Primeiro Testamento, com o significado do "sopro vital". É por esse "sopro vital" de Deus que surge a criação na narrativa de Gênesis. Nesse momento, Jesus comunica seu sopro vital, divino e santo, seu Espírito, aos discípulos. Lucas não o menciona na passagem paralela a esta, em seu evangelho. Ele opta por dar, em Atos dos Apóstolos, um grande destaque a tal comunicação do Espírito Santo, com uma impressiva narrativa, como acontecimento que ocorre na festa judaica de Pentecostes (primeira leitura). E é este Espírito que anima as novas comunidades em sua pluralidade de dons, porém formando um só corpo no seguimento e união com Jesus (segunda leitura). A ressurreição, com as aparições sucessivas, é confirmação de uma realidade que a antecede. É a comprovação da condição humana e divina de Jesus de Nazaré. Toda sua vida foi dom de amor a todos que conviveram com ele, em particular os discípulos ao longo dos três anos de seu ministério. Agora, os discípulos o percebem claramente. Jesus de Nazaré, filho de Maria, filho de Deus, é portador e comunicador da vida divina e eterna. Em continuidade, Jesus envia os discípulos. É o envio universal em missão. Os discípulos são enviados assim como Jesus o foi pelo Pai. A missão de Jesus foi comunicar o amor do Pai ao mundo. A seguir, soprando sobre os discípulos, Jesus lhes comunica o Espírito Santo, o qual, além de ser o portador da Paz, conduzirá os discípulos na missão de divulgar ao mundo o amor vivificante de Deus. Assim como Jesus não veio ao mundo para condená-lo, não cabe à comunidade a condenação. É à palavra anunciada que cabe o julgamento. Porém, à missão cabe o anúncio da prática da justiça, a qual tira o pecado do mundo e instaura o amor.

APROFUNDANDO NA PALAVRA: A Igreja vive no Espírito de Cristo
A solenidade de Pentecostes celebra um acontecimento capital para a Igreja: a sua apresentação ao mundo, o nascimento oficial com o batismo no Espírito. Complemento da Páscoa, a vinda do Espírito sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração e na atividade dos discípulos; início da expansão da Igreja e princípio da sua fecundidade, ela se renova misteriosamente hoje para nós, como em toda assembléia eucarística e sacramental, e, de múltiplas formas, na vida das pessoas e dos grupos até o fim dos tempos. A "plenitude" do Espírito é a característica dos tempos messiânicos, preparados pela secreta atividade do Espírito de Deus que "falou por meio dos profetas" e inspira em todos os tempos os atos de bondade, justiça e religiosidade dos homens, até que encontrem em Cristo seu sentido definitivo.
O Espírito da aliança universal e definitiva
Não se pode deixar de ligar o acontecimento do Sinai com o de Jerusalém; a assembléia das doze tribos corresponde à dos apóstolos, novo Israel; fogo e vento manifestam a presença do Deus vivo; é dada a lei da aliança, lei de liberdade que qualifica os filhos de Deus. A aliança, não mais limitada a um povo escolhido para dar a conhecer o verdadeiro Deus, é aberta a todos os povos e a todas as raças; não mais caracterizada por um sinal na carne (a circuncisão), ela é espiritual e se exprime pela fé e o batismo (também o de desejo); não mais renovada por homens mortais no decorrer da história, é ela fundada sobre Cristo "que permanece eternamente". E precisamente por ser espiritual e definitiva, sua encarnação atual na Igreja do nosso tempo com suas instituições e nas diversas igrejas esparsas por toda a terra, com suas peculiaridades, tem valor sacramental (isto é, traz verdadeiramente a salvação), mas também relativo e caduco. E preciso, pois, não considerar absoluto e definitivo algo que não seja o próprio Espírito, realidade profunda e inexaurível de tudo o que constitui a vida da Igreja no tempo: ações sacramentais, hierarquia, ministérios e carismas, templos e lugares. (Podem-se reler diversos textos do Concílio a propósito do pluralismo na Igreja, da tradução da mensagem cristã nas diversas culturas, da adaptação litúrgica, da variedade de expressão artística).
O Espírito da fidelidade e da coragem
O batismo no Espírito ilumina a comunidade dos amigos de Cristo sobre seu mistério de Messias, Senhor e Filho de Deus; faz com que compreendam sua ressurreição como a plenificação dos planos de salvação de Deus, não só para o povo de Israel, mas para todo o mundo; leva-os a anunciá-lo em todas as línguas e circunstâncias, sem temer perseguições nem morte. Como os apóstolos, os mártires e todos os cristãos, que ouviram profundamente a voz do Espírito de Cristo, tornam-se testemunhas do que viram, do que foi transmitido e que experimentaram em sua existência. No mundo de hoje toda a nossa comunidade é chamada a colaborar com o Espírito da nova vida para renovar o mundo: tanto na atividade cotidiana como nas vocações extraordinárias. E isto, sem perder a coragem, porque "o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza" (Rm 8,26), corrige e incentiva nosso esforço, faz convergir tudo para o bem comum, porque todo dom (todo carisma) vem dele, único Espírito do Pai e do Filho.
Toda a nossa vida de cristãos está, portanto, sob o sinal do Espírito que recebemos no batismo e na crisma, nosso Pentecostes; nela devemos amadurecer os "frutos do Espírito" (Gl 5,22): amor, paz, alegria, paciência, espírito de serviço, bondade, confiança nos outros, mansidão, auto-domínio...
O Espírito da novidade em Cristo
"Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos.
Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado está presente, o evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se deifica" (Atenágoras).

Reflexão do dia: A paz esteja convosco”.
Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado e continuou: “Recebei o Espírito Santo...”.
Neste dia de Pentecostes, o texto do evangelho apresenta-nos a presença do Cristo Ressuscitado que cria uma nova humanidade. O cristianismo nasce da experiência comunitária da presença e da força do Ressuscitado. Essa presença implica a transcendência do tempo, mudando situações de vida, dando uma dimensão nova ao viver comum. Durante o encontro de Jesus com os discípulos, no primeiro dia da semana, dia da assembléia dominical, o Espírito de Deus é dado pelo ressuscitado para renovar os homens, purificando-os do pecado. A finalidade é levar os leitores à fé em Jesus, reconhecendo-o como Messias, Filho de Deus, e para que, continuando a crer, vivam a vida autêntica, inseridos na missão de Jesus, que é testemunhar o amor. E, por fim, a primeira comunidade teve o privilégio de ver e perceber o Ressuscitado, mas as gerações posteriores deverão crer pelo testemunho da fé. A nova criação é a luta pela justiça, permitindo a todos que tenham acesso à vida. A paz, a alegria, a certeza são os fundamentos dessa nova vida. A aceitação dos outros, até o perdão mais radical, é condição de uma nova humanidade. A recepção do dom do Espírito Santo leva as pessoas a saírem de si e a se comunicarem. O dom do Espírito é a teofania de Deus na comunidade, provocando a comunicação acessível a todos por intermédio do amor. O amor verdadeiro é presenciado não na busca de interesses de grupos, mas no testemunho real da participação e comunhão de todos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Liturgia do dia 08 de Junho de 2011

Quarta-Feira da 7ª. Semana da Páscoa - Ano A - Dia 08/06/2011 - Cor: Branco
Santo Efrém, diácono e doutor da Igreja

Primeira Leitura: Entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça, que tem poder para edificar
Leitura dos Atos dos Apóstolos: 20,28-38
Naqueles dias, Paulo disse aos anciãos da Igreja de Éfeso: 28 "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho. 29 Eu sei, depois que eu for embora, aparecerão entre vós lobos ferozes, que não pouparão o rebanho. 30 Além disso, do vosso próprio meio aparecerão homens com doutrinas perversas que arrastarão discípulos atrás de si. 31 Por isso, estai sempre atentos: lembrai-vos que durante três anos, dia e noite, com lágrimas, não parei de exortar a cada um em particular. 32 Agora entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça, que tem poder para edificar e dar a herança a todos os que foram santificados. 33 Não cobicei prata, ouro ou vestes de ninguém. 34 Vós bem sabeis que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo. 35 Em tudo vos mostrei que, trabalhando deste modo, se deve ajudar os fracos, recordando as palavras do Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais alegria em dar do que em receber’”. 36 Tendo dito isto, Paulo ajoelhou-se e rezou com todos eles. 37 Todos, depois, prorromperam em grande pranto, e lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, 38 aflitos, sobretudo por lhes haver ele dito que não tornariam a ver-lhe o rosto. E o acompanharam até o navio.   Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário: Entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça, que tem poder para edificar
Paulo põe em estreita relação a missão do apóstolo e a especial vocação por parte do Espírito, que dá a seu ministério um caráter sagrado e o coloca no âmago da própria ação salvífica, procedente do seio da Trindade. Desta essência teologal da missão apostólica derivam certas atitudes e certa responsabilidade. Antes de tudo a vigilância, não penas entendida como ação inquisitiva e censória perante inimigos internos e externos que ameaçam a vida da comunidade, mas, sobretudo, como disponibilidade dos pastores a se dar a si mesmos, “noite e dia”, pelo bem do rebanho, a ponto de imitar o bom Pastor na doação da própria vida. Depois, a confiança no poder da Palavra de Deus e de sua graça. É tal este poder que Paulo não confia a Palavra aos pastores, como deveria fazer numa transmissão de poderes, porém confia os pastores ao poder da Palavra. Finalmente, o desinteresse. Paulo sempre recusou ser pesado a seus ouvintes, para ser livre e proclamar, com sua atitude, a total gratuidade do dom de Deus.

Salmo Responsorial - Sl 67(68),29-30.33-34.35-36 (R. 33a)
R. Reinos da terra cantai ao Senhor. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
29 Suscitai, ó Senhor Deus, suscitai vosso poder, confirmai este poder que por nós manifestastes, 30 a partir de vosso templo, que está em Jerusalém, para vós venham os reis e vos ofertem seus presentes!    (R)
33 Reinos da terra, celebrai o nosso Deus, cantai-lhe salmos! 34 Ele viaja no seu carro sobre os céus dos céus eternos. Eis que eleva e faz ouvir a sua voz, voz poderosa.  (R)
35 Dai glória a Deus e exaltai o seu poder por sobre as nuvens. Sobre Israel, eis sua glória e sua grande majestade! 36 Em seu templo ele é admirável e a seu povo dá poder. Bendito seja o Senhor Deus, agora e sempre. Amém, amém!   (R)

Comentário: História da luta do povo de Deus
Oração de agradecimento coletivo, talvez cantado numa procissão que recorda passos da história de Israel
A intervenção de Deus na história provoca uma divisão fundamental, porque Deus toma partido: ele se alia aos justos para derrotar os injustos. Deus à frente de seu povo, formado pelos marginalizados da sociedade e da história: órfãos, viúvas e cativos. Como líder e pastor do seu povo, Deus vai à frente em todas as lutas, abalando a realidade inteira (terra e céu). Para quê? Para dar uma terra fértil aos pobres, que viviam numa terra esgotada pela exploração e opressão. A história do povo é feita de muitas lutas para vencer os poderosos e seus grandes exércitos. Graças a isso, o povo pode recuperar e repartir as riquezas que, por direito, lhe pertencem. A procissão chega ao Templo no monte Sião. É o momento de uma grande transformação histórica: com a monarquia de Davi e Salomão, Israel torna-se império, correndo o perigo de se tornar um novo opressor. A certeza de que Deus habita em seu meio traz ao povo a confiança permanente de que Deus o ajudará a levar todas as cargas. Ele o libertará da morte produzida pelos inimigos estrangeiros e pelos injustos que pervertem as relações sociais. Os versículos 29-32 é uma súplica para que Deus manifeste seu governo poderoso, realizando a justiça. Todas as nações trarão seus tributos, porque o Deus justo saberá repartir a riqueza entre todos. Os versículos 33-36 é um convite para que todos os reis reconheçam que Deus é o rei soberano. A história do seu povo e todo o universo são testemunhas de que esse Deus vivo reparte sua força e poder com o seu povo.

Aclamação ao Evangelho Jo 17.17ba
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Vossa palavra é a verdade, santificai-nos na verdade!   (R)

Evangelho: Para que eles sejam um, assim como nós somos um
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João: 17,11b-19
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos para o céu e rezou, dizendo: 11b "Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um. 12 Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que me deste. Eu guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a escritura. 13 Agora, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si a minha alegria plenamente realizada. 14 Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15 Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno. 16 Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. 17 Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18 Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo. 19 Eu me consagro por eles, a fim de que eles também sejam consagrados na verdade".  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário: Jesus reza ao Pai por nós
Os discípulos vão continuar a missão de Jesus. Como Jesus, eles romperam com a mentalidade perversa do sistema que rege a sociedade. A missão deles, porém, não é sair do “mundo”, e sim permanecerem unidos, presentes no meio da sociedade, dando testemunho de Jesus. O Pai os protegerá de se contaminarem com o espírito do “mundo”, a cujas ameaças e seduções eles não cederão. Jesus não poupa seus discípulos das tribulações que o mundo lhes prepara. Melhor dizendo: o Mestre não lhes reserva um lugar especial, geograficamente separado, onde estejam imunes de tentações. A prova de sua fé acontece no confronto com o Maligno. É então que podem dar mostras da solidez ou da fragilidade de sua adesão ao Senhor. No colóquio com o Pai, Jesus alude ao fato da deserção de um discípulo, seduzido pelo Maligno: "Nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição". Nesta dolorosa exceção, sente-se como que fracassado em sua missão. Todo o seu ministério foi marcado por uma dedicação exemplar àqueles que o Pai lhe confiara. Guardava-os, com desvelo, para não se desviarem do caminho. Falava-lhes do Pai, revelando-lhes a sua face amorosa. Consagrou-os na verdade e os enviou para serem continuadores de sua missão. Entretanto, além de não tê-los segregado, também não os privou da liberdade. Assim, ficou aberto o espaço para a infidelidade e a deserção. Alguém deu mais atenção ao mundo do que à palavra do Mestre. Foi o que fez Judas, o "filho da perdição". Foi-lhe franqueada a salvação. Ele, porém, a rejeitou. A perseverança dos discípulos é obra do Espírito, força divina que os move a resistir diante das sugestões do Maligno. Quem é cauteloso sabe como precaver-se! A oração da unidade, de Jesus, no evangelho de João, após destacar a "glória" conjunta de Jesus e do Pai, discorre sobre o "guardar" e o "consagrar". O "guardar" é a presença amorosa que atrai os discípulos, os une e liberta-os do império maligno que domina o mundo. Jesus foi esta presença amorosa no mundo. Agora, ao se ausentar, pede ao Pai que manifeste seu amor com o envio do Espírito Santo. Este guardará os discípulos, que permanecem no mundo. Os frutos do Espírito são o amor e a alegria. "Consagrar" é dedicar a Deus. Jesus, enviado ao mundo pelo Pai, consagrou-se pelos discípulos: dedicou-se ao anúncio da palavra da verdade que salva o mundo. Agora os discípulos são enviados, em missão, ao mundo, consagrados ao anúncio da Verdade, que é a realização da vontade de Deus: justiça, paz e vida sobre a terra.

Oração: Pai, reforça minha fidelidade a Jesus, de maneira que o Maligno não prevaleça sobre mim. Protege-me contra a maldade do mundo, consagrando-me na verdade.

Reflexão do Dia: “Jesus roga por seus discípulos”
Este Evangelho de hoje menciona uma das mais difíceis temáticos do cristianismo, a seleção dos cristãos para viver e levar adiante a missão de Jesus no mundo.
Essa escolha tem sido sempre fonte de tentações e desvios na vida espiritual e na evangelização. Às vezes, o fato de ser colocado à parte no mundo pode formar um “gueto”: as comunidades cristãs isolam-se, não exercendo influência na sociedade e na história. Outras vezes, sua atividade desvia-se, fazendo que percam sua identidade cristã e a qualidade de seu testemunho.